
O meu dia de hoje começou com a notícia (obrigada sbs!) de que tinha saído uma foto minha na revista Visão desta semana.
Fiquei contente e a pensar que já não era a primeira vez que uma foto era publicada sem prévia autorização (ou pelo menos um aviso cortês de que iria sair) e de que isso, infelizmente, é uma prática corrente e que em vez de me aborrecer, devia encarar a coisa como um elogio e ver o lado positivo, a divulgação.
Até que folheei a revista e percebi que uma foto (que não é da minha autoria) de dois dos meus colares figurava como suporte a um artigo sobre feiras de natal que se aproximam. E, apesar de ser lisonjeador que o meu trabalho tenha sido escolhido para ilustrar esse mesmo artigo, considero deselegante e grave que tal tenha acontecido sem o meu conhecimento e prévia autorização e que não haja a mínima referência à autoria das peças em causa.
Em primeiro lugar porque detenho a propriedade intelectual sobre as mesmas, em segundo porque tenho o direito de não querer ver o meu trabalho associado a feiras de natal nas quais não vou participar (apenas poderia ser associada a uma delas em que não vou – infelizmente e por motivos pessoais – participar sequer) e, em terceiro, porque no aspecto final das minhas peças, que pelos vistos são consideradas um excelente chamariz, e por detrás dele, está muito trabalho manual e intelectual que as torna peças únicas ou de edição limitada.
Por todos estes motivos, o mínimo a fazer seria ter identificado quem as produz.
Resta-me o consolo de serem inconfundíveis (o maior elogio de todos) e, por isso, reconhecidas por todas as pessoas que já tiveram contacto com o meu trabalho, e também de a minha filha, na simplicidade dos seus 3 anos e meio, quando viu a revista ter exclamado encantada: – "olhós colares da mamã!".
Tenho dito.
*UPDATE*
Obrigada a todos os que demonstraram a sua indignação aqui e por outros meios!
Não gosto deste tipo de "lavagem de roupa suja" mas, uma vez que manifestei aqui a minha insatisfação e estupefacção, acho que é justo para quem lê o blog publicar também o desfecho da história.
Ora então aqui vai: enviei um mail à jornalista da Visão que prontamente respondeu com um pedido de desculpas, dizendo que lamentava o sucedido mas que se limitara a publicar 2 das 3 imagens que a organização da feira Ladralternativa tinha enviado – sem legendas – como press-release da feira que decorreu no fim-de-semana passado.
Apesar de achar que a revista tem alguma responsabilidade, porque descontextualizou as imagens aglomerando-as no canto superior direito da página e que devia questionar-se sobre a publicação de imagens de pormenor sem créditos, não tinha como saber que estava a fazer publicidade enganosa.
Portanto, na minha perspectiva, a maior parte da responsabilidade recai sobre quem indevidamente fez uso da imagem enviando-a no âmbito de um press-release.
Posto isto, enviei um mail para a organização da feira em questão, que sabia que eu não iria estar presente na edição do fim-de-semana passado, e que tirou a dita foto na edição de setembro (1.ª – e última – edição à qual fui) apenas para colocar no blog da feira.
Responderam-me que o envio desses kits de imagens tem como objectivo a promoção dos que colaboram no projecto, acrescentando que em 3 anos eu tinha sido a única pessoa a insurgir-se e tinham muita pena de ser mal interpretados, terminando secamente com um pedido de desculpas pelo sucedido.
Fiquei sem saber o que responder. Ou antes, sei mas percebi que só ia gastar tempo e latim:
1. Só vale a pena pedir desculpa quando se acha mesmo que se procedeu mal. A palavra desculpa não serve de nada quando dita assim, quase por favor.
2. Não sou uma prima donna afectada e caprichosa com a mania de que paira acima dos restantes mortais. Aliás, quem me conhece sabe isso perfeitamente e as questões que levantei são absolutamente legítimas.
3. Eu não pedi promoção a ninguém. De qualquer forma, é para mim uma certeza de que quando se quer promover alguém não se utiliza a imagem do seu trabalho de forma anónima e fora do contexto.
4. O que acabou por acontecer foi que a imagem de duas das minhas peças (por opção de paginação e porque pelos vistos são um óptimo chamariz) serviu de promoção a 10 feiras de natal (mais grave ainda, feiras às quais nem sequer vou!), e não à Ladralternativa.
5. E, principalmente, o facto de disparar o obturador não dá o direito de utilizar a imagem para outro fim que não o que se tinha acordado, colocar no blog documentando aquela edição da feira com os devidos créditos. As peças continuam a ser minhas e a sua imagem não passa a ser propriedade da feira e não aceito, por isso, que seja utilizada para auto-promoção nos termos em que isso aconteceu.
Tenho muita pena de perceber que os direitos de autor e de imagem são completamente ignorados pela maioria das pessoas, categoria na qual surpreendentemente esta organização se inclui.
E situações deste género amargam e amarguram, e fazem perder muito tempo que podia ter revertido a favor de alguma coisa bem mais positiva e, às vezes, dão mesmo vontade de deixar de trabalhar. É que este meio não é tão bonito como pode parecer à primeira vista: a competição é cerrada e muitas vezes desleal e coisas muito simples e bonitas transformam-se num instante num grande banho de água fria. Felizmente para mim, vou-me tornando cada vez menos sensível a diferenças bruscas de temperatura.
E agora sim, tenho dito.
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(translation available soon)








































